Lembraste quando na estação de comboios esperávamos por um que me levasse e, de mãos dadas, apertávamos com esmagadora força a incerteza que o futuro para nós guardava? Lembraste de eu te olhar e te dizer que não te queria perder? Lembraste de me olhares e me dizeres que não me querias perder? Por que razão partilhámos este querer tão inofensivo e ao mesmo tempo tão terrivelmente assustador? Por que razão demos as mãos? Eu parti, nessa carruagem que acabou por me levar e que nunca mais me trouxe de volta a ti. O mais curioso é que foste tu própria que me levaste até ao infortúnio apeadeiro e nele me fizeste companhia até ao derradeiro adeus. Estivemos juntos até à última, até onde e quando pudemos estar.
Obrigado.
Obrigado.